14 de novembro de 2017

Mestrar?!? Deus me Livre!!!

Acredito que o titulo dessa postagem seja a reação de 99% 100% dos players de qualquer RPG. Particularmente, na minha experiencia como mestre nos últimos 5~6 anos aproximadamente consegui transformar 3 players em mestres,  um deles desistiu. Então não são 2 mais sim 2 player em mestre... Contudo ambos possuíram a coragem pra transcender a barreira de mestre-jogador o que é a maior dificuldade, que explicarei mais a diante.

Mas antes de tentar desmistificar o ato de mestrar desejo fazer uma pequena descrição sobre mim, minha forma de mestrar e um pouco da minha trajetória ate aqui... ok, I guess!?! Atualmente estou mestrando em 2 mesas, uma online, vagas esgotadas sinto muito, outra presencial, também não vou revelar onde se passa, questão de segurança minha e dos players, ambas muito divertidas e gostosas de mestrar. A mesa online tem se desenvolvido mais devido a facilidade de se manter a frequência, a presencial por sua vez possui a desvantagem de se reunir em algum local, mas fora isso nenhum problema. Como já disse eu narro a mais ou menos 5~6 anos, no sistema Tormenta. Isso ai Jambo, estou divulgando o produto de vocês, não que esteja querendo algo em troca ou coisa parecida... Tive algumas mesas presencias, muitas tiveram de ser resetadas algumas muitas vezes, outras simplesmente morreram.

Quanto a minha forma de mestrar normalmente não faço restrições nas regras, mas tenho a regra de ouro do poder: Mestre>Deuses>Regras>Players. Eu sei que vão me chamar de autoritário, de patriacarlista opressor, de machista, e do que mais vier a cabeça... Não fujo das acusações é tudo para uma questão de ordem, e saber o seu lugar. Não to dizendo que os diversos manuais valem de nada, mas as vezes para o bem da historia, ou até dos players as regras hão (é assim que se escreve?) de serem torcidas em prol da diversão, as vezes o vilão escapar no primeiro encontro, no segundo ou terceiro vale a pena pois aumenta a satisfação dos players no momento que o derrotarem. Então já disse tudo sobre mim, dei até uma dica de "mestragem", mas não falei bulhufas sobre porque mestrar!

Uma vez que já provei ter alguma notoriedade no assunto, falou o zé ninguém que se acha alguma coisa, vamos a parte interessante: Mestrar ou não mestrar? Muitos dos livros de RPG elegem características de pessoas que são do bio-tipo mestre, ao meu ver um erro tão grande quanto Lombroso tentando definir o biotipo do bandido. Pra não cair no mesmo erro, ou pelo menos tentar, vou resumir a dois pontos: Criatividade e Sensibilidade.

Vamos pelo mais importante sensibilidade. Não há nada mais legal que ver os players felizes após uma longa seção de RPG, e isso só é alcançado quando se usa da sensibilidade. Como assim sensibilidade? Eu não estou entendendo! Simples! Digamos que se está mestrando e por azar dos players o mestre estava sem criatividade e decidiu rolar um encontro aleatório, e como se não fosse o bastante sai um dragão verde ancião! Me permita esclarecer que a party tinha level médio 4 o que tornava um encontro fatal pros players. Dito isso é obvio que eles ficaram chateados por já estarem pensando em fazer uma ficha nova, por a sobrevivência ser muito além do impossível.  que entra a Sensibilidade pois não seria legal pra mesa (plyers e você mestre) que eles morressem ali. A saida? Sim, bem lembrado! Os dragões verdes anciões por mais violentos que sejam normalmente são extremamente curiosos e apegados ao seu domínio, por ser uma criatura inteligente ele interagiu com os playes pedindo 2 coisas a cada um item valioso, já que é um dragão, e uma informação de fora do seu domínio - sensibilidade. Esta ainda se pode aplicar na criação de aventuras ao definir as dificuldades dos desafios, contudo nem sempre ela favorecerá os players.

No caso do Dragão, um deles que estava em uma carroça se recusou a abrir mão do item, e mais tentou enganar o dragão e fugir dele numa carroça! - Sensibilidade - O dragão com uma patada esmaga ele e a carroça! Veja ele pagou pelo erro cometido, veja que a reação do dragão foi condizente com a sua descrição do manual dos monstros nos dois casos. Usar a sensibilidade não é fazer as vontades dos players, mas ser justo e ver o que melhor se encaixa em cada situação. O player esmagado desde então nunca mais quis jogar comigo, por que será?

Criatividade é o segundo ponto, e muito do que sei se passa por aqui. Não considero o mais importante pois é possível ser um bom mestre usando de aventuras prontas e fechadas, contudo as vezes os players querem dar uma pausa na matança de Gnols ou Goblinoides para dar um breve Role Play, ou seja dar aquela interagida entre o grupo e com eventuais NPCs, muitas vezes isso não tá na aventura e é ai que a critividade entra em ação! Em poucas palavras a criatividade entra desde a criação de uma aventura a improvisação do nome da garçonete ou de um bêbado passante... Coisas que parecem fúteis, mas que dão vida a e tons de realidade a sua ficção. Outro uso bem bem realizado dessa Skill seria nas descrições de cenas, como uma floresta, ou dungeon, vou dar uma dica que pode dar mais "cor" ao seu jogo: nem tudo é o que se vê, digo em todos esses locais há cheiros, barulhos típicos que podem ser explorados.

Se você tem qualquer uma das duas skills que citei você já possui uma boa chance de se tornar mestre. Se você gosta de contar boas histórias,  você gosta de PODER ABSOLUTO E IMPLACÁVEL, de exercer o improviso ou de se surpreender com soluções improváveis e absurdas ser mestre é o seu chamado! Não há nada de complicado em mestrar! No mais é tentando que se aprende a andar de bicicleta e a mestrar. Não se engane antes de ser mestre seu amigo foi um jogador, que tal surpreender-lo com uma tentativa de assumir o papel dele? Ele é seu amigo, qualquer coisa peça sua ajuda, o que ele o corrija. Mas lembre-se da regra de ouro do poder: Mestre>Deuses>Regras>Players assim você garante que ele não vai abusar do conhecimento prévio dele, ou eventuais entendimentos que ele possa ter!

Já falei mais que desejava, espero ter conseguido dar uma ideia sobre o assunto, no mais comente compartilhe pra aquele seu amigo que você quer ver mestrando e ainda sim ele não se decide!!!

E até o próximo post!!!

29 de maio de 2014

A História Esquecida

Já era tarde quando cheguei. Estava escuro e frio. Do lado de fora da pequena estalagem não se ouvia nada, não se via ninguém, apenas uma leve brisa a brincar nas folhas das árvores. Entrei. Aqui era quente, acolhedor, o cheiro das comidas e do hidromel invadiam as narinas acordando a fome. Uma jovem moça me conduziu a uma mesa. Pedi a especialidade da casa e uma caneca de hidromel, precisava clarear as ideias.

***

Muitas coisas aconteceram nesta semana, algumas se quer deveria ter presenciado, mero acidente de percurso; outras foram por minha culpa e desleixo; algumas outras por causa de Nimb, O Senhor do Caos. Acontece que no final da semana passada minha vila ainda existia, hoje nem se quer posso dizer que houve uma vila no local, se quer posso atestar a presença humana. Tudo aconteceu tão rápido. Os lordes não tiveram perdão. Em questão de minutos toda uma vila desaparecia perante os meus olhos, queria poder ajudar-los... isto ainda me pesava aos ombros.

***

A comida chegara, o cheiro era bom, senti o estomago roncar, seria bom ter uma refeição normal em fim. Enquanto me empanturrava, comecei a observar as pessoas que estavam na taverna, que por sinal era pequena e mal iluminada. Ao balcão, havia apenas o dono, um homem forte, alto, rosto largo, de seus 45 anos, vestindo roupas simples e já um tanto gastas. Estava sempre ocupado em limpar as canecas de hidromel, por mais que estivessem limpas, calmamente ia passando o seu pano, esfregando as canecas, uma a uma, num serviço sem fim. Vez ou outra chegava ao balcão a jovem que me recepcionou, parecia ser a filha dele, bonita, vistosa, no auge da sua beleza, suas roupas eram tão simples quanto as do pai, porem, talvez pela simplicidade, ressaltavam as belezas do seu corpo. Devia possuir no máximo seus 18 anos.Todos na taverna admiravam sua beleza, e para conseguir alguma atenção, e assim quem sabe trocar uma ideia com ela, estavam sempre fazendo pedidos até gastarem seus últimos centavos.

Como eu havia mencionado a taverna era pequena, apenas umas mesas 7 no total, sendo que 4 estavam vazias, duas possuíam grupos de aventureiros, provavelmente desfrutando da ultima noite normal entes de saírem em busca de fama, gloria e riqueza. A ultima mesa contudo me chamou a atenção, ela ficava em um canto muito mal iluminado quase não se dava para ver quem estava sentado, ainda mais se este estivesse usando roupas escuras, como era o caso. Por um estante, em quanto olhava a mesa, cheguei a achar que era de fato uma sombra, que não havia nada ali, contudo quando a filha do dono se aproximou da mesa consegui ver que algo se mexera nas sombras, lentamente fui baixando minha mão até alcançar a adaga que meu pai me dera pouco antes da grande tragedia da minha vida.

***

Era uma manhã de sol, e eu já havia me levantado para me aprontar para ajudar meu pai em seu oficio, a carpintaria, quando na rua surgiu um reboliço, uma mistura de vozes e sons, como se estivesse passando um grande bardo pela cidade, o que de fato ocorria de 2 a 3 vezes ao ano. Não era bardo nem sequer uma companhia de aventureiros, mas sim uma legião de minotauros, todos grandes, fortes e sobretudo mal cheirosos. O primeiro deles empunhava um estandarte adornado com um enorme par de chifres, atras dele vinham em marcha cerca de outros 13 minotauros, sendo que 12 marchavam enfileirados, formando 3 colunas, estes empunhavam lanças e escudos reforçados, alguns com marcas de batalhas travadas, suas armaduras eram gastas revelando a distancia entre sua partida e sua terra natal. O ultimo minotauro possuía a mais brilhante armadura, um elmo reluzente, um conjunto de espadas nas costas, na cintura um machado, seus braços eram adornados por braçadeiras igualmente reluzentes. Ele empunhava um escudo na mão esquerda e na direita uma lança.

O pelotão seguia em direção a praça da vila e todos os abitantes estavam temerosos, e mal conseguiam esconder sua ansiedade. Eu estava como eles. Não é comum a presença de minotauros em uma região tão longe de Tapista. Me aprontei para ver o que ocorria, desci as escadas, mas quando estava passando pela porta de casa, minha mãe chamou:

- Hezio, aonde você pensa que vai? Por acaso esqueceu que tem de ajudar o seu pai hoje?- Falava em quanto balançava uma colher de pau melada com alguma comida que estava fazendo - Vá ajudar o seu pai!

Dito isso, eu fui. Mas não parava de pensar no pelotão de minotauros, e no motivo de eles estarem na cidade, foi pensando nisso até chegar perto da oficina que ficava em um beco atrás de casa, foi quando ouvi uma voz  aguda dizendo " ... excelente porte físico esse seu Sr. Alletrope, de fato você será de grande contribuição para a nossa causa!", em seguida meu pai tentou argumentar dizendo que possuía esposa e filhos e ouviu como resposta "Ótimo, eles podem ir com o senhor,  se bem que você não suportaria ver o que pode ocorrer com sua bela esposa, e seu amado filho" cedendo a chantagem aplicada, meu pai exclamou:

- Eu vou com vocês, mas não toquem na minha família! Eles são tudo que possuo, não posso perde-los.- Grilhões de mitral ressoaram, eram suas algemas decretando sua prisão.- Vocês podem até me matar, mas não façam nada com a minha família.

-Muito interessante, realmente, muito interessante!- exclamava a vós aguda- Você deve amar mesmo a sua família Sr. Alletrope! Não se preocupe tanto, seu castigo não será a morte! Ele será muito pior, tudo, é claro, em nome da ciência!- em quanto falava sua vós parecia estar cada vez mais perto, saindo do beco e vindo na minha direção!

Precisava me esconder, não queria estar ali, não era para estar ali, isto não deveria estar acontecendo. A conversa se aproximava, mais e mais, e assim que virassem a próxima esquina me avistariam, tenho que me esconder, mas onde? Não havia lugar no beco onde pudesse me esconder, sem falar que era estreito demais para isso!

***

Estava quase sacando a adaga do meu pai, quando percebi que a filha do dono da taverna se dirigia a minha mesa, não falou nada, apenas deixou cair um pedaço de papel em quanto fingia anotar algum pedido. Feito isso se dirigiu ao balcão, e falou algo para seu pai, ambos se retiraram para a cozinha. Algo ia ocorrer, senti o perigo se aproximar, e sem pensar ou agir, tomei o papel e em quanto tentava ler, uma adaga cruzou o a estalagem atingindo uma parede atras de mim. Rapidamente me joguei no chão, não imaginava que iriam me alcançar tão rápido...

***

Meus perseguidores? Bem digamos que eles não eram nada humanos... mas pra Artron isso não importava muito, boa parte deste continente era povoada por feras fantásticas, a outra parte refletia o caos e a ordem das civilizações. Porem eles vinham a mando dos Lordes, e eles queriam a unica alma, que restou da minha vila. A unica alma que podia devolver-los para o seu plano original, para o seu mundo onde sua existência se confunde com o próprio existir.

***

Eram cinco deles, criaturas estranhas, aberrações, meio que insetos gigantes, do tamanho de uma pessoa... estavam sendo liderados por um homem de porte médio vestindo uma armadura vermelha com o rosto coberto por um cranio negro. estavam na entrada da estalagem, em estantes os aventureiros que ali estavam sacaram suas armas e partiram para sima das criaturas... pobres almas... em menos de dois minutos de combate os mais sortudos estavam dilacerados pelo chão, e os azarados estavam gritando de agonia como se sua mente estivessem sendo torturados, o inferno havia me alcançado,  e os gritos eram a confirmação disso. O cavaleiro rubro veio na minha direção, vagarosamente sacou uma de suas espadas, a lamina parecia congelar o ar ao seu redor, cristalizando a umidade do ar, temi pela minha vida...

14 de agosto de 2013

Boatos da Taverna - FINAL

Ao não conseguir adentrar na arena apressei-me no caminho das arquibancadas (meros poleiros de onde as pessoas se trepavam para assistir a carnificina que estava para começar) na tentativa de ver o nobre esporte da sobrevivência. Nobres gladiadores enfrentando-se uns aos outros para conseguir como premio a chance de morrer nas garras de uma temível besta, ou viver uma vida de glórias.

Os corredores sinuosos logo me levaram as arquibancadas (apinhadas da mais baixa escória da sociedade, plebe para tudo que era lado, bebendo, gritando, fazendo algazarra, sendo a plebe) rapidamente procurei um local seguro e com boa visibilidade, em minutos achei um local de boa visibilidade onde dava para ver a arena quase toda. Ao longe um dos portões se abriu e dele saíram um grupo de aventureiros, mais havia algo de errado com um deles, ele parecia ter inúmeras feridas ainda abertas sobre a pele. No estante seguinte estava a tentar desferir um golpe de espada em sima do homem misterioso do qual eu ouvira tanto falar, arregalei os olhos para tentar ver o máximo de detalhes, mas só o que vi foi uma poça de sangue se formar no local onde o confronto havia ocorrido... mas a poça parecia mais ser feita de pequenos cristais do que sangue, foi então que entendi o herói misterioso não foi acertado. Quem foi acertado foi o atacante, e não eram feridas sobre a pele mas sim crostas de matéria vermelha.

E o confronto foi seguindo, a cada golpe tentado o publico urrava de energia, cada gota de sangue eram urros e pulos de alegria, aplausos e vaias eles só queriam ver os dois se matarem... foi quando o herói misterioso em um golpe cravou fundo sua arma no ombro do meio-aberrante gerando um grito de dor ouvido em toda Tapista. Era o silencio. A arena toda aguardava que o meio aberrante em fim tombasse ao chão, mas nada ocorria... nisso em um movimento rápido o silencio é quebrado por um corte de espada, pelo som do aço temperado cortando o ar e em seguida a carne até topar com um eventual osso, seguido do gotejamento do sangue que caia pela empunhadura da espada.

Foi então que o meio-aberrante tombou, levando o povo a loucura, o barulho era enorme impedindo de se ouvir os próprios pensamentos. Quando de repente uma multidão que esta nas primeiras fileiras começou a correr procurando uma saída, buscavam  a todo custo escapar do que se tornara uma ratoeira, e nos espectadores eramos os ratos. Com a morte do meio-aberrante as partes de matéria vermelha que brotavam da sua carne entraram em colapso, reagindo uma a outra, gerando o que sem sombra de duvidas era o maior medo dos artonianos: A Tempestade Rubra emergia das entranhas do meio-aberrante, e com elas pequenos parasitas-aberrantes surgiam e perseguiam os espectadores das primeiras fileiras, gerando todo o panico e caos que ali estava...

A tempestade foi mais rápida que todos, saídas boqueadas por matéria vermelha, os que não morreram, enlouqueceram com tamanha visão (que de fato era bem pior que ver o próprio inferno), eu mesmo encontro-me perto do meu fim, todo coberto por essa matéria vermelha a drenar minha sanidade e minha vida. Deixo este registro na esperança de um dia usarem-no para reverter esta injusta maldição que nos foi pega de surpresa, e para saberem como esta catástrofe começou. Continuem a tentar meus irmãos...

[...]

Então em algum lugar do panteão Valkaria chorou, não apenas por mais um filho seu ter perdido a vida, mais também pelo erro cometido no passado. Erro pelo qual ela pagou com a liberdade, liberdade que foi devolvida pelos seus filhos após inúmeras tentativas falhas, mas conseguiram e isso era o que importava para ela: seus filhos terem a capacidade de superarem todos os obstáculos que lhes forem impostos, pois assim foram criados.

Contudo, em algum lugar de sua mente uma certeza começava a atordoar-lhe: se começara com os três, com os três havia de terminar!